18-19 de setembro, São Francisco – Los Angeles – Needles, CA

18-19 de setembro, São Francisco – Los Angeles – Needles, CA
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No domingo, saí de San Francisco em direção a Los Angeles – quatrocentas milhas na estrada, onde pude encontrar meu irmão, Carlos Eduardo e esposa Dianna, que lá estavam de férias por alguns dias. Jantamos na cidade de Irvine, no Javier’s Cantina (http://www.javiers-cantina.com/), sempre uma boa pedida, escolha do meu irmão, que morava nessa região e sempre bate o ponto por lá. Irvine é também famosa pela Universidade de Irvine, uma das mais renomadas dos EUA, localizada em Orange County, uma das melhores regiões dos EUA para se viver. Fica próximo a Los Angeles, Hollywood, Beverly Hills, as conhecidas praias de Huntington Beach, Laguna Beach, Dana Point, Disneyland, a pouco mais de uma hora de San Diego, e por fim, Santa Monica, onde comecei a Rota 66.

Era obrigatória, uma parada no famoso “End Of The Trail Sign”, placa que simboliza o final da Rota 66, no meu caso o início, já que estou fazendo ela, de Los Angeles para Chicago. Na verdade, a placa fica no píer de Santa Mônica, cidade-gêmea com Los Angeles. Foi inaugurada lá em 2009, no 83o aniversário da Rota 66, com o apoio da “Route 66 Alliance”, que representa inúmeros empresários ao longo da Rota inteira.

Eu, Dan Rice e sua esposa Jessica

Encontrei lá uma pessoa especial, chamada Dan Rice, casado com sua doce e atenciosa esposa Jessica. Ambos estão felizes pela chegada do seu primeiro filho e mesmo assim, puderam me dar uma grande atenção – Dan é experiente em Rota 66, com mais de 25 viagens no currículo e dono da 66-to-Cali (http://www.66tocali.com/), loja de souvenires sobre Rota 66, conhecidíssima no píer da praia de Santa Monica. Além de variados itens, são as melhores camisas que você poderá encontrar com o símbolo da Rota 66 entre Chicago e LA, assim garante Dan – além de todas serem “Made in USA”, o que faz todo o sentido, visto que a Rota 66 é um símbolo puramente americano. Sem mais, não tem erro, chegando lá é só perguntar quem é Dan Rice, que todos conhecem. O Dan é um cara único, pude perceber em poucos instantes. Demonstra paixão pelo que faz, pelo projeto de vida, feliz com esposa e filho, dedicado, responsável e algo que me surpreendeu hoje em dia – a doação do seu tempo, principalmente para um americano, povo conhecido pela objetividade por muitas vezes até exagerada e “enlatada”. Passamos juntos quase uma hora, ambos me indicando ponto-a-ponto, inúmeros locais que não poderia deixar de conhecer na Rota 66, em todo o seu trecho.

Há um guia muito bacana e com bastante explicação sobre a Rota 66, chamado “EZ 66 Guide for Travelers”, do autor Jerry McClanahan, que pode ser adquirido, por exemplo, na Amazon.com ou através de pessoas especiais como o Dan, já que comprando o livro lá, as dicas únicas e o bom papo é de graça ! Outra informação bacana é o livro “End Of The Trail”, com a biografia do próprio Dan (http://www.66tocali.com/66-products), sobre um sério acidente sofrido por ele no passado e sua seguinte recuperação, tendo a Rota 66 como pano de fundo em muitos momentos. Confesso que ainda não tive tempo de ler, pois está muito corrido, mas já está na mala!

Rota 66 – Deserto do Mojave, Califórnia

Tendo conversado com o Dan no domingo, a segunda-feira foi o dia da primeira viagem, atravessando todo o estado da California, por paisagens estonteantes, até chegar na cidade de Needles, na fronteira com o Arizona. Nesta pequena cidade de 5 mil habitantes, nos indicaram o “Juicy’s Famous River Café” (http://www.juicysrivercafe.com/), restaurante da região no estilo “Diner”, algo bem típico em todo os EUA. Detalhe que a garçonete me perguntou se eu queria a conta,

coisa que eles nunca fazem, já chegam com ela na tua mesa e só faltam jogá-la em

Vale do Mojave, California

nossa frente! Quando explico isso para os americanos, eles acham isso puramente normal, mas para os povos de origem latina, sejam, brasileiros, mexicanos, argentinos, espanhóis, italianos, portugueses, quando acabamos de comer, ainda rola aquele papo, o “cafezinho”, daí sim, nós pedimos a conta… Enfim, culturas diferentes. Outra dica – Pasadena, bem próxima a Los Angeles e no início da Rota 66, é uma cidade muito bacana, arquitetura diversificada, lojas, pontos turísticos da Rota 66, vale a pena conferir.

Terça passarei por outro trecho fantástico, mais 300 milhas e irei conhecer um senhor de 84 anos, Angel Delgadillo, um barbeiro da cidade de Seligman, no Arizona, um dos responsáveis por resgatar e salvar a Rota 66 que ainda hoje existe nos EUA.

  • Para fechar o dia, algumas curiosidades sobre a Rota 66:
  • Fundada em 11 de novembro de 1926;
  • Passa por oito estados americanos: Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e finalmente, California;
  • Distância em 1926: 2448 milhas ou 3940 quilômetros;
  • Também conhecida como “Mother Road”, Will Rogers Expressway/Highway”, “Main Street Of America”, entre outros nomes.
  • Oficialmente deixou de existir em 1985, após a consolidação do sistema viário das
    Get Your Kicks on Route 66!!!

    estradas interestaduais americanas, porém continua firme e forte no coração de muitos de nós, americanos e estrangeiros, e com o esforço e apoio de pessoas como Dan Rice e Angel Delgadillo, pessoas mais do que especiais!

  • Começa em Chicago e termina em Los Angeles, ou melhor, Santa Mônica. Já teve seu término modificado algumas vezes.

Oitocentas milhas depois, terça-feira tem muito mais! No futuro vou tentar escrever sobre o por quê da Rota 66 ser esse símbolo americano.

Me sigam nessa!

Leo Politano.

4 responses to “18-19 de setembro, São Francisco – Los Angeles – Needles, CA

    • P: Bom Leo tenho uma duvida,gostaria de saber o porque de vc começar sua viagem pela rota de maneira inversa?
      R: Pois todos os meus irmãos são americanos, tenho duas irmãs que moram em Sacramento, caiptal da California e antes de iniciar a aventura passei duas semanas visitando minhas irmãs, sobrinhos e madrasta. De lá fui a São Francisco, como pode ter lido em uma das matérias inicias e no dia seguinte parti para Los Angeles/Santa Monica, onde é o fim da Rota 66, no pier de Santa Monica. Achei melhor começar por lá e fazer “eastbound” do que “westbound”, pois era mais próximo de onde eu estava, do que ir até Chicago, e de lá inciar a Rota até LA.

      P: E outra coisa e que tipo de carro vc usou?
      R: Usei um Toyota Prius, um carro híbrido, bastante econômico. Pelas contas que fiz, deixei de gastar quase 300 dólares em menos combustível por ter usado-o em vez de um carro comum. Ele rende mais de 20km por litro e é mais potente do que muito carro 2.0 do Brasil…

      P: Qual clima vc pegou na estrada essas coisas?Grande abraço!
      R: Clima… Melhor época de ir é na primavera ou final do verão/início do outono, pois em ambos os momentos não é muito quente e nem frio. Chicago no inverno faz 20 graus negativos facilmente e isso tiraria do viajante a chance de parar e contemplar, conhecer inúmeros locais/estabelecimentos ao longo da Rota, que inclusive fecham pouco antes do início inverno (novembro) e só reabrem no início da primavera, em março… Pense que também irá cruzar o Deserto do Mojave, que no verão é mais quente ainda… Imagina um carro quebrado e parado por horas a fio no meio do deserto… Sempre tenha pelo menos um galão de água no carro para alguma eventualidade (principalmente por causad e risco de desidratação) e um reparador instantâneo de pneu furado (em spray), que se acha em qualquer Wal-Mart de lá. Se o carro não quebrar ou furar pneu (tive essa sorte), dentro do carro com A/C funcionando é moleza…

      Abraços.

  1. Estou planejando ir de Santa Monica até o Grand Canyon e achei o seu relato por que nas minhas pesquisas Needles parece ser um bom local para pernoitar antes de seguir viagem. O que teria de interessante para fazer nesse trajeto Santa Monica-Needles?

    • Sim, Needles é um bom local para pernoitar. Imagino que você irá passar o dia inteiro viajando se for pela Rota 66. Caso vá pela I-40, é mais rápido, caso o seu objetivo seja mesmo o Grand Canyon. A depender do seu ritmo, dá para chegar em Williams, AZ, porta do Grand Canyon. De lá sai uns trens com passeios bacanas ao Grand Canyon. Lembre que o Canyon é enorme e esta é uma das partes deles, talvez uma das mais bonitas. Vale a pena. Boa sorte!

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