Pelos desertos do Novo México

De Winslow, AZ a Albuquerque, NM.
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No terceiro dia de Rota 66, ia ficando cada vez mais encantado com o que estava fazendo, grato por ter esta oportunidade na vida e tempo para conhecer novos lugares e pessoas, talvez este o maior ponto de toda a viagem. A sensação é como se nos oito estados da Rota e através regiões distintas dos Estados Unidos, as pessoas se conhecem intimamente, como se morassem na mesma rua e dividissem ali, os mesmos problemas e desafios em manter acesa a chama da Rota 66, ou seja, ao mesmo tempo dividem as suas dificuldades, mas também as alegrias conquistadas, fruto do trabalho árduo de cada americano, a grande maioria de origem humilde e de cidades pequenas, sem luxo, ao longo dos seus quase quatro mil quilômetros, no meu caso, indo de Los Angeles a Chicago.

O povo americano do interior, aqueles que por vezes são chamamos de “rednecks”, por causa das marcas vermelhas de sol nos seus pescoços e braços, são pessoas muito simples, a maioria de educação básica, dedicadas e muito trabalhadoras. “Redneck” pode ser também um termo pejorativo, visto que são pessoas simples, como se chamássemos alguém de “caipira” no Brasil. Entretanto, analisando o estereótipo, é exatamente como em nosso país, é só viajarmos através do interior e compararmos com a vida nas capitais, para entendermos o que quero dizer. O lema deste povo é o “do what you gotta do”, algo como a afirmação do “faça o que você tem de fazer”, que traduz uma das essências do americano: Sem rodeios, sem questionamentos, se você tem de fazer algo, faça acontecer e ponto, não questione, não perca tempo, faça. Isso se traduz numa das qualidades que mais admiro nos irmãos Ianques – a capacidade de mobilização para as coisas, seja do mais simples ao mais complexo. O jeito em que eles se mobilizam em torno de algo é sem dúvida admirável, quem sabe um dia veremos isto aqui no Brasil.

Winslow, AZ

Passei a noite em Winslow, num hotel da mesma rede da noite anterior em Needles, chamado “America’s Best Value Inn”. Novamente, o gerente do hotel é um indiano, este não tão simpático quanto o meu amigo Dave. Não façamos confusão com os povos índios, que apesar de serem raros hoje nos Estados Unidos, ainda há um bom número nesta região, mas neste caso não foi um “ameríndio”, e sim um indiano mesmo, uma etnia que na minha infância, durante as viagens nos anos 80 pela América, não se via tanto por lá, principalmente no interior. Mas as coisas mudam e a cada vez mais em ritmo ainda maior !

Ao sair de manhã cedo, resolvi voltar 20 milhas na estrada para poder conhecer o “Meteor Crater”, ou “Cratera do Meteoro”, em português. A história é a seguinte: há aproximadamente uns cinquenta mil anos, um meteorito de ferro com 40 metros de largura e pesando 150 mil toneladas se chocou no deserto do Arizona a doze quilômetros por segundo, algo em torno de 43 mil quilômetros por hora! Claro, que abriu uma cratera no chão, não era para menos e não foi tão pequena assim – estamos falando de 1.25 km de diâmetro e 190 metros de profundidade. É a cratera mais famosa e estudada do mundo e se tornou uma grande atração turística na região. Ali foi montado um centro de pesquisa, onde há também um museu sobre meteoros, loja de souvenires, um café, uma lanchonete, enfim, tudo no meio do deserto do Arizona. É algo que um dia sonho que passemos a ter com mais abundância no Brasil: Infraestrutura, esse é nome do jogo!

Seguindo adiante, cruzei pela cidade de Gallup, já no estado do Novo México. Com presença significativa de uma população de índios Navajos, Gallup é conhecida como a cidade mais índia do Estados Unidos, ao mesmo tempo que sofre com problemas socioeconômicos, com um índice elevado da população vivendo em níveis de pobreza, um dos maiores do país. A pobreza e os problemas sociais presentes na população índia, se mostra semelhante aos dos nossos nativos da América do Sul. Penso que é algo que de alguma forma – q questão dos índios, semelhante ao Brasil, os Estados Unidos ainda não conseguiram resolver este assunto de forma efetiva, desde os processos de consolidação do território americano na “Corrida ao Oeste”, “Guerra Americana-Mexicana”, “Land Run”, que deram origem aos estados do sudoeste americano – Novo México, Texas, Arizona, Califórnia. Bom, entre outros dados, em Gallup também foram filmados muitos filmes do gênero Western nas décadas de 40, 50 e 60 e lá encontra-se um famoso hotel da Rota 66, o El Rancho Hotel & Motel (http://www.elranchohotel.com/).

Quatrocentos e cinquenta quilômetros percorridos, ao final da tarde, chego em Albuquerque, maior cidade do Novo México. Interessante que me encontrava dirigindo em uma estrada com baixíssima densidade populacional e de repente me vejo chegando num vale e lá embaixo uma cidade de meio milhão de habitantes! Albuquerque é a maior cidade do Novo México e palco do famoso “Albuquerque Internaltional Baloon Fiesta”, maior festival de balões do mundo, que ocorre no início de todo o mês de outubro. Estive lá em setembro, semanas antes do festival, gostaria de ter conhecido, mas vai ficar para a próxima…!

Próxima parte, de Albuquerque a Amarillo… Ops ! Oklahoma City !

Me sigam nessa !

Leo Politano.

3 responses to “Pelos desertos do Novo México

  1. Pingback: Through the Deserts of New Mexico | Route 66 Coast to Coast·

  2. E uma Pena heim Leonardo!Presenciar o festival dos Balões seria de uma imenssa beleza!Mas como vc disse algumas semanas a esperar e muito tempo para um turista!
    Gostaria de saber de vc sobre algumas radios americana,tipo com musicas ou temas inspirados na rota 66!Caso vc saiba o nome de alguma,deixe na resposta!

    • Quanto ao International Balloon Fiesta, infelizmente não pude ficar para a semana seguinte, mas voltarei lá outras vezes, achei Albuquerque uma cidade bem interessante. Esqueci de dizer em uma resposta anterior que além das minhas duas irmãs que moram em Sacramento-CA, tenho um irmão que mora em Oklahoma City, por onde inclusive passa a Rota 66 no trecho do estado Oklahoma e outro irmão em Washington-DC, além de sobrinhos, etc em outros estados.

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