Três estados em um dia!

Três estados em um dia!
Novo México, Texas e Oklahoma – de Albuquerque, NM a Oklahoma City, OK
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Albuquerque, NM

Infelizmente a agenda da aventura não coincidiu com o famoso “Festival Internacional de Balões de Albuquerque”, o que foi uma pena, mas ficará para a minha próxima viagem pela Rota 66, com certeza. Os dias em que estive em Albuquerque, na verdade coincidiram com a grande “Feira Estadual do Novo México”, que também acontece no início do outono, porém, o que eu queria mesmo, era poder guiar pelo trecho da Rota 66 que corta a cidade e conhecê-la mas a fundo e em seguida encontrar um hotel, pois ainda não tinha feito reserva. Numa viagem como essa, em que cada dia você dorme em um lugar, combinado com a grande oferta de hotéis, o melhor mesmo é aproveitar o seu dia e mergulhar nos “imprevistos” proporcionados e deixar para resolver onde irá descansar durante o decorrer do dia ou no final da tarde… Então, para que o estresse?!

No meu caso, tinha o meu iPhone (risos), com ele era simples, é só usar um dos meus “apps”, tais como o Expedia ou Priceline, localizar o hotel e se quiser ainda dá para pagar e chegar lá triunfando, sem precisar se preocupar em pagar nada no dia seguinte, é só arrumar as coisas e partir em frente! Descobri uma “manha”, ao longo da viagem; nem sempre os preços destas empresas citadas de descontos em hotéis são os melhores, principalmente em cidades de menor expressão turística. Entendi que, chegando no balcão, muitas vezes dá para conseguir preços melhores negociando com o gerente do hotel! Por que? Pois, devido ao fato dos hotéis terem de pagar um percentual a estes sites, se você chega no balcão e tentar negociar (nem sempre eles fazem isso), eles podem te cobrar um valor mais em conta, pois não precisam pagar comissão à Expedia ou Priceline, por exemplo… Todavia, estes sites são imprescindíveis para toda a rede – digo, hotéis e clientes, já que criam um volume de reservas que muitas vezes, os hotéis sozinhos não conseguem mobilizar.

De Albuquerque a Oklahoma City

Enfim, depende de cada caso, as vezes vale a pena tentar. E no interior dos EUA, as pessoas são geralmente bastante amigáveis. Está curioso se neste caso, eu consegui algum desconto? Somente de cinco dólares (risos), mas pelo menos é o café da manhã do dia seguinte, pensemos assim…! E ainda tive de aturar outra família de indianos, estes então eram meio estranhos, ficavam olhando para mim, meio que vigiando, devo ter alguma cara de mafioso, só pode ser… Como se eu pudesse ser um turista louco que fosse destruir o quarto, só rindo mesmo! Mas tirando a família indiana mal-encarada, novamente fiquei no America’s Best Value Inn, este com os quartos bastante novos e por cinquenta dólares foi uma ótima pedida, nada mal.

Outra dica interessante em viagens nos dias atuais: Sempre dê uma olhada em sites de avaliações dos clientes, como o Tripadvisor.com – lá sempre há comentários de hóspedes que já ficaram nos hotéis em que você planeja passar a noite. Vale muito a pena saber se os quartos são arrumados e os lençóis limpos, sem cheiro de mofo, entre outros itens de conforto, ou seja, no final do dia tudo o que eu queria, era poder descansar com tranquilidade e partir no dia seguinte!

Dirigindo em Albuquerque, seguindo a Rota 66, fui parar no centro da cidade. Como antigamente os centros urbanos eram bem menores, sempre as antigas estradas cortavam os seus centros. Estacionei o carro numa praça e havia um grupo de crianças se apresentando num coreto, tipo um coral de escola. Parecia que estava no interior da Bahia… Escutei duas músicas do grupo e resolvi seguir andando, passei por algumas lojas de souvenires, comprei um copo de tequila com o símbolo da Rota 66 e um outro com o mapa do Novo México, algo comum para qualquer turista. Encontrei um Café e decidi sentar para tomar um espresso numa verdadeira xícara de cerâmica, coisa rara nos Estados Unidos. Quem gosta de um café espresso como eu, a dica é, sempre que for pedir um nos EUA, avisar para que coloquem em uma xícara de cerâmica, senão a moçada coloca num copo de papel, aí “ninguém merece”!

A noite resolvi jantar num Red Lobster qualquer, já que estava a fim de comer camarão, ou seja, nesta noite nada de restaurantes típicos, apesar de ter boas indicações! Na dúvida de onde comer, outra dica: Sites como o Yelp.com ou os “apps” que eles tem para smartphones, já que eles localizam onde você está via GPS e te dá opções de restaurantes, bares e cafés na redondeza, novamente, com recomendações escritas por clientes que já estiveram por lá. Em seguida voltei ao hotel e me preparei para o dia seguinte, onde teria quatrocentos e setenta quilômetros a frente, até Amarillo, no Texas, o estado americano onde “tudo é grande”, como dizem os americanos!

Na manhã seguinte, saindo de Albuquerque, eu tinha três paradas programadas até a minha chegada a Amarillo. A primeira era na pequena cidade de Santa Rosa, ainda no Novo México, para poder conhecer o “Route 66 Auto Museum” (Route66automuseum.com). O museu, como o próprio nome sugere, é dedicado aos automóveis, neste caso, muitos que em algum momento do passado desfilavam na Rota. Santa Rosa tem somente dois mil e oitocentos habitantes e assim como muitas cidades ao longo da estrada, começa a presenciar um novo crescimento, já que aos poucos, a Rota 66 tem se tornado mais em evidência como destino turístico nos EUA.

Route 66 Auto Museum

Eu confesso que não esperava muito do museu, afinal, era uma cidade pequena, o que eu poderia esperar? Entretanto, para a minha grata surpresa, o museu é muito interessante, com dezenas de carros clássicos e “vintage”, como Cadillacs, Corvettes, Oldsmobiles, Buicks, Chevy Bel-Air’s, Pontiacs, além de antigos carros “tunados”, ou como já aprendemos a chamar em portugês – “Hot Rods”, já que o dono do museu é um colecionador e ativo participante de torneios e exibição em todo o país, enfim, foi uma surpresa muito grata. Destaque também para a quantidade de itens alusivos a Rota 66, tais como garrafas antigas, placas de neon, posters, murais, objetos em geral, ou seja, um pouco da Rota 66 em um único local. Aproveitei para tomar uma boa e velha Coca-Cola de garrafa geladíssima – “Made in Mexico”, tirada de um balde de gelo, assim mandava a tradição. Única ressalva: deveria ter algum movimento mais forte de preservar a fabricação “Made in USA” em todo e qualquer souvenir da Rota 66, sejam camisas, bonés, canecas, chaveiros, o que for; não concordo em ver praticamente tudo “Made in China” em uma viagem como esta. Sei que nos tempos de hoje as coisas são diferentes, nem entro no mérito, mas o velho orgulho americano, de algo fabricado nos Estados Unidos deveria retornar com mais ênfase, principalmente em algo tão genuinamente americano como a Rota 66.

Saindo de Santa Rosa, sigo até a pequena cidade de Adrian, no Texas, conhecido como “a metade do caminho” da Rota 66. São mil oitocentos e trinta e três quilômetros para cada lado, de acordo com a própria placa em frente ao MidPoint Café. No entanto, alguns locais em um raio médio de uns cem quilômetros, brigam por serem reconhecidos por estarem no meio do caminho da Rota, mas creio que o MidPoint seja o mais conhecido. Cheguei lá pouco antes das quatro da tarde e conheci um casal de aposentados, num Corvette Spider da década de sessenta e lá ficamos conversando sobre a Rota 66, ainda do lado de fora do Café, que para a nossa surpresa fechou as quatro em ponto! Prontamente, saquei o livro do Dan Rice – “End of the Trail”, apontei a capa do livro na janela do estabelecimento e disse:

– Dan Rice me mandou vir aqui, Dan Rice me mandou vir aqui!”…!

Fran Houser e Eu

Do outro lado do vidro, o semblante se transformou em sorriso, as portas se abriram e pude conhecer a Sra. Fran Houser, dona do MidPoint Café (leiam a história do MidPoint Café no site Uglycrustpies.com). Curiosidade: Segundo Melba Rigg, da pequena cidade de Galena, no Kansas (depois falarei dela, em outro artigo), Fran serviu de inspiração para a Disney-Pixar criar a personagem “Flo”, do desenho animado “Carros”, já que ela é uma cozinheira de mão cheia e dona de uma receita famosíssima na Rota 66 de um tipo de “Ugly Crust Pie”, que sem precisar traduzir, são aquelas tortas à moda antiga, crocantes por fora e doces por dentro, com recheios variados, de maçã, nozes, chocolate, limão, etc. Falando em limão, quando conheci Dan Rice, ainda em Santa Mônica, ele me disse:

– “Se eu soubesse que iria te conhecer hoje, enviaria por você algumas sacolas com limões da árvore que tenho lá em casa para você entregar a Fran, ela adora fazer tortas com os que tenho da árvore do meu jardim”!

Dito e feito, quando disse que estava lá no Café dela por indicação do amigo Dan, a primeira coisa que Fran me disse foi:

– “Ué, cadê os meus limões”?!

Esta é a verdadeira essência da Rota 66, meus amigos, é feito de pessoas como nós, representantes do povo simples do interior americano e a Rota 66 os une como uma grande família.

Abastecido de “Ugly Crust Pies” perfumando o meu carro, resolvi que não iria dormir mais em Amarillo. Seguiria por mais quatrocentos quilômetros em frente, até Oklahoma City, já que as tortas no meu carro, eu iria levar para o meu irmão mais novo Bruno, minha cunhada Anna e sobrinhos Samuel e Júlia, que lá moram. Ou seja, iria antecipar a minha chegada em Oklahoma em um dia e de surpresa, na calada da noite! As boas surpresas são sempre gostosas e guardadas com boa lembrança, será algo para relembrar daqui alguns anos, sem dúvida!

Cadillac Ranch

Do Midpoint Cafe até Oklahoma City, teria ainda mais uma parada no estado do Texas, próximo a Amarillo, para conhecer o famoso Cadillac Ranch, onde dez automóveis Cadillacs estão enterrados no chão, pela metade e em diagonal, com a parte traseira apontada para fora. É uma tradição dos viajantes da Rota 66 em parar, entrar neste rancho e após duzentos metros de caminhada, sacar as suas latas de tinta de spray e pintar o que quiser na lataria dos carros. Mas leve uma câmera consigo, pois logo mais, com certeza, outro turista irá pintar algo por cima da sua pintura! A escultura foi criada por um grupo de artistas hippies de São Francisco, na década de setenta e financiada por um bilionário de Amarillo, chamado Stanley Marsh 3 (Terceiro).

Uma das paradas conhecidas em Amarillo, é o famoso restaurante “Big Texan” (Bigtexan.com) e o seu “Desafio do Steak”, um pedaço suculento de 2 quilos, mais alguns acompanhamentos – se você comer tudo em uma hora, não paga nada e ainda tem o seu nome e foto colocados no mural da fama!

Parada seguinte, de Oklahoma City a Tulsa, ainda em Oklahoma ! Venham comigo!

Leo Politano.

5 responses to “Três estados em um dia!

  1. Pingback: Three States In A Single Day! | Route 66 Coast to Coast·

    • Com certeza as tortas são muito boas mesmo, tanto é que levei algumas delas para meu irmão e família quando cheguei a noite em Oklahoma City… Essa senhora, dona do Midpoint Cafe, inspirou a personagem “Flo” do filme carros, da Disney.

  2. Leonardo,no Cadilac Ranch vc naum viu nem um sinal de Brasileiros por la naum?
    E vc deixou sua marca la?Ou se esqueceu de compra a lata de SPRAY?rsrssrs
    Belas imagens vc tirou,parabens!To salvando todas aqui pra usar como meus papeis de parede!
    Abraço!

    • No momento em que cheguei no Cadillac Ranch, próximo a cidade de Amarillo, estava fazio, sem nenhum turista. Aliás, ao longo da Rota 66 eu só vi brasileiros em Santa Monica, na California… Agora, verá muito Inglês, Australiano, Holandeses, etc., eles são grandes fãs da Rota 66… Quanto ao spray, estava com horário um pouco apertado, já só chegaria no meu destino as 23h, então acabei por não parar em nenhum lugar para comprar a latinha… Mas terei outras viagens por lá, com toda certeza. Saiba de uma coisa, não dará para ver nem 30% do que há para ver, fazer e curtir ao longo dessa viagem, a não ser que se faça num ritmo bem mais lento e por uns 30 a 40 dias seguidos… O lado bom é que quando você chega no final da viagem, fica já pensando e programando o que repetirá na viagem seguinte e o que vai querer ver, que não pode conhecer na viagem anterior…

      Ao longo das próximas semanas, estarei escrevendo e postando os artigos seguintes, não deixe de acompanhar e qualquer dúvida estarei a disposição.

      – Procure por um documentário do escocês “Billy Connollys”, sobre a Route 66, é bem interessante.

      – Um dos sites que usei para iniciar as minhas pesquisas: http://www.historic66.com/

      – Outras informações: http://en.wikipedia.org/wiki/U.S._Route_66

      – Veja também as inúmeras dicas ao longos dos meus artigos, num deles, indico um guia que me foi bastante útil.

      Abraços.

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