Rio Mississippi, Cadê Você?

Rio Mississippi, Cadê Você?
De Tulsa, OK a Saint Louis, MO
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De Tulsa a St. Louis

Saí logo cedo em direção a cidade de St. Louis, no estado do Missouri, tendo o gigante Rio Mississippi, no alto dos seus quase 4 mil quilômetros como um dos pontos altos ao fim do dia. A origem do nome Mississippi vem da língua indígena “ojibwe” misi-ziibi, que significa “grande rio”. Enfim, me preparava para o encontro com um dos maiores rios do nosso planeta e de uma importância incomensurável para a América do Norte.

Rota 66 no estado do Kansas

Foi um dia longo, pois no planejamento inicial que elaborei, imaginava chegar perto do pôr-do-sol na cidade de Springfield, no estado do Missouri, porém quis adiantar um pouco para poder chegar mais cedo em St. Louis e assim poder ter mais tempo adiante, visitando um grande casal de amigos na cidade. Resultado, em vez dos trezentos quilômetros planejados para o dia, o resultado final foi além dos seiscentos quilômetros de asfalto, sem contar com alguns desvios e as costumeiras paradas ao longo do caminho! Ouvindo uma boa música e curtindo a vista, que mal tem?

O que mais me interessava neste trecho, era justamente a mudança de clima e de paisagem, com muitos pastos verdes, plantações, temperatura mais amena e menos árida, com a sensação de que agora me dirigia em direção ao norte do país. Como o outono era a estação do ano, a mudança era bem perceptível. Cruzava o coração do “corredor dos tornados“ e dei a sorte de não pegar nenhuma chuva muito forte, o que poderia caracterizar a aproximação de um fenômeno da natureza – um tornado, que apesar da incrível beleza quando vista a olhos nus, pode ser bastante destruidor, mas jamais queiram estar embaixo de um destes quando o mesmo “tocar o chão” e começar a sugar tudo em seu caminho! Neste trecho passei pela cidade de Joplin, já no estado do Missouri, onde meses antes, grande parte da cidade foi arrasada por um grande tornado, deixando muitas casas destruídas e centenas de vítimas em seu rastro.

Me and Melba Rigg

A “Boca da Rota 66”, Melba Rigg!

Este foi, sem dúvida, um dos dias mais pitorescos de toda a viagem, quando pude dirigir ao longo do curto, porém bem cuidados 21,2 quilômetros que cruzam o sudoeste do estado do Kansas, aquele mesmo estado retratado no filme “O Mágico de Oz (1939)”, clássico do cinema mundial. Pude conhecer a pequena loja e lanchonete “Four Women On The Route” e por indicação do meu amigo Dan Rice, poder bater um papo com Melba Rigg, uma das quatro sócias do lugar (daí o nome do local), conhecida como “A Boca da Rota 66”, pois digamos que a minha nova amiga, segunda ela própria me disse, com orgulho estampado em seus olhos, falasse um pouquinho mais do que a média!

É impressionante poder ver, que em uma cidade tão pequena como a de Galena com os seus 3085 habitantes no estado do Kansas, projetos ao longo da Rota 66 alavancam o renascimento, não somente da rodovia, mas precisamente das comunidades locais que estão passando a receber mais turistas, jornalistas, investidores, ou seja,  fomentando e reativando a economia destes pequenos centros urbanos no coração da América – este o verdadeiro Estados Unidos que a maioria dos turistas não conhecem. Uma das atrações do local? Lembram do personagem “Tom Mate”, a pick-up guincho enferrujada do desenho animado Carros, da Disney-Pixar e que por muitas vezes rouba a cena? Pois é, em frente ao “Four Women On The Route” se encontra o modelo original que serviu de inspiração para a Disney, quando lá visitaram e conheceram Melba Rigg, criando o conhecido personagem. Conversando com Melba, ela me contava as inúmeras pesquisas e entrevistas que a Disney-Pixar realizou, para poder criar longa-metragem e digo-lhes, foi impressionante a riqueza de detalhes levantados por eles ao longo de toda a Rota 66, até que a animação começasse a ser desenhada nas telas de computador! Caso tenham interesse, vejam vocês mesmos no livro “The Art of Cars” – o meu foi adquirido na Amazon, tão logo terminei a viagem…

O restante do dia foi, exatamente o que sonhava em ver há tantos anos: paradas para fotos de pequenas pontes, sinais da Rota 66 marcados no asfalto, estabelecimentos antigos fechados, pequenas cidades ao longo do caminho, casas coloridas, sorveterias, lanchonetes, antiquários, em fim, tudo isso guiando a menos de 80 quilômetros por hora e na maior paz e tranquilidade até chegar no destino do final do dia: A cidade de St. Louis!

Próximo trecho: Chicago, estou quase lá! De St. Louis, MO a Pontiac, IL.

Me sigam nessa,
Leo Politano.

3 responses to “Rio Mississippi, Cadê Você?

  1. Bom Leo,ficou otimo seu post,Quem dera todo o restante da rota 66 fosse tratado como no estado do Kansas,seria ainda mais interessante para os turistas!E tambem para os proprios moradores como a Sra.Melba Rigg que lucrariam ainda mais com o turismo!Grande Abraço

    • Na verdade alguns estados, como o Missouri e Illinois estão muito bem sinalizados e cuidados. Em termos de pavimentação, todo o trecho da Rota 66 quase que de ponta a ponta é bem cuidado, desse mal geralmente o americano ainda não vive… Todavia, em virtude de oficialmente a Rota 66 não ser mais uma estrada de rodagem, mas “de passeio”, depende e muito das comunidades locais, prefeituras das cidades (governo), dos estados (governo), em parceria com o próprio governo federal em fomentar a Rota 66. Por um outro lado, o próprio aspecto de “certo abandono” e de “antiguidade”, arte-pop, retrô, vintage, etc, é o que dá certo charme a Rota. Percebi que em alguns locais, a sinalização é meio complicada de entender e é fácil de se perder em trechos mais urbanos, principalmente nas grandes cidades, como LA, Chicago, Oklahoma City, St. Louis, Albuquerque, etc. Ouvi relatos também de roubo de placas da Rota 66, “sonho de consumo” de todo viajante da Rota, todavia eu tenho a minha e não é preciso roubar dos postes, tem inúmeros sites que vendem a mesma e de todos os tipos, estados, etc… Ou seja, mesmo um país “rico” como os EUA vive os seus problemas de “roubos de galinha” deste tipo, como no Brasil…
      Em maio tem um grupo de Santa Catarina, mais de 10 motoqueiros que estarão viajando pela Rota 66 em virtude de terem conhecido o meu blog e ter entrado em contato comigo. Se você tiver interesse em montar um grupo de interessados, a depender da minha agenda, posso inclusive acompanhá-los e guiá-los. A cada vez que percorrer a Route 66 será uma experiência distinta…

      Abraços.

  2. Pingback: Mississippi River, where are you? | Route 66, the Main Street of America·

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