Chicago – ainda não!

Chicago – ainda não!
De Saint Louis, MO a Pontiac, IL
This article will be soon published in English.

Trecho entre Saint Louis, MO a Pontiac, IL.

Trecho entre Saint Louis, MO a Pontiac, IL.

Reta final – sair de Saint Louis pela manhã e chegar em Chicago, ao final da tarde. Sim, este era o plano inicial, não fosse o fato que decidi me manter o máximo possível, na Rota 66 e em nenhum momento sucumbir a tentação de pegar a estrada principal, a I-55, que em muitos momentos andam lado a lado. Afinal, minha intenção não era de chegar logo em Chicago, mas sim curtir a estrada – este é o espírito de quem viaja na Rota 66! São tantas coisas para se ver, fazer, conhecer e por que não dizer, aprender. Sim, pois aprendi nesta jornada pelo coração do país, que este é os Estados Unidos da América que sempre busquei conhecer, as pequenas cidades e seus cidadãos em passos lentos, vivendo um dia de cada vez, sob o lema “you gotta do, what you gotta do”, que seria em nosso português, algo como – “faça o que tem de ser feito”. Assim eles cresceram, se desenvolveram e prosperaram, dia-após-dia, em uma filosofia de planejamento de longo-prazo e capacidade de execução de dar inveja a todos nós brasileiros. Sinto uma grande diferença neste ponto, entre ambas culturas em que me criei.

O Arco de Saint Louis, MO

O Arco de Saint Louis, MO

Uma vez em Saint Louis, parei para fazer algumas fotos do que, na minha opinião é o cartão postal mais famoso da cidade: O Arco de Saint Louis. Com seus quase duzentos metros de altura, o Arco de Saint Louis foi construído na década de sessenta, nas margens do Rio Mississippi, como um monumento à expansão Americana rumo ao oeste. Contestada no início, a construção do Arco acabou atraindo importantes empreendimentos locais nesta região de Saint Louis e se tornando o seu principal ponto turístico.

Crédito: http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AMississippi_St_Louis_USA1.jpg

Rio Mississippi

Saint Louis tem uma importância histórica muito relevante para o desenvolvimento e consolidação dos EUA. A cidade está localizada à beira do Rio Mississippi, como dito no artigo anterior, rio de grande importância econômica para os Estados Unidos. Rio de grande navegabilidade, por ali há um enorme escoamento da produção americana para o Golfo do México ao sul e os Grandes Lagos ao norte. Pelos Grandes Lagos, é possível uma conexão com a cidade de Nova Iorque através do famoso Canal Eire, construído no século XIX. Imaginem vocês, que antes deste Canal, toda a produção agrícola, ao longo da região central dos EUA, que se destinaria à Europa, por exemplo, saía em sua grande maioria, do porto da cidade de Nova Iorque, na Costa Leste do país, mas o transporte da produção desta região demorava semanas para chegar no porto, a um custo bastante elevado e com grande ineficiência, perdas, etc. Resultado, com a conclusão do Canal Eire, em outubro de 1825, o escoamento de toda esta produção se tornou muito mais ágil e a um custo noventa e cinco por cento menor! Isso mesmo, noventa e cinco por cento! Assim se consolidava Saint Louis como o centro do Mississippi. Enquanto isso, em 1825 o Brasil, com sua recém declarada Independência em 1822, engatinhava como país, continuava extremamente ligada a Portugal e de longe ainda não era uma democracia.

Al Capone

Al Capone

Logo do outro lado do rio, me aguardava o último estado da “Mother Road”: Illinois, terra de Al Capone (apesar de nascido em Nova Iorque), um dos mafiosos mais conhecidos da história americana e dono de um império, gerado principalmente pela exploração da venda de bebidas alcóolicas, em plena Lei Seca norte-americana, desde o início dos anos 20 até 1931 – ao meu ver, um grande erro do país, já que tal Lei só fez criar no ser humano um desejo ainda maior de consumo do proibido, além de mais um ambiente de crimes de contravenção, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos, talvez nunca antes visto até então nos Estados Unidos. E por que estou falando de Al Capone num diário de viagem da Rota 66? Pois a Rota 66 foi inaugurada em 1926, no auge de Al Capone e este a usava muito no escoamento das bebidas em que ele vendia na época da Lei Seca. Ou seja, Capone tinha muito interesse na Rota 66, apoiou muito a implantação de estrada e da sua pavimentação.

Capone Family SecretCuriosidade: Existe uma marca de refrigerantes gourmet chamada “Capone Family Secret”, segundo me disseram, ainda pertencente a família Capone, além de outros produtos, como conservas, molhos, etc. São vendidos on-line, no site http://www.caposfoods.com ou em alguns locais nos EUA. Ao longo da Rota 66, dá para encontrar os refrigerantes, no famoso restaurante Pops, em Arcadia, na Rota 66 no trecho entre Oklahoma City e Tulsa.

Pouco mais de uma hora e 60 milhas depois, entre Saint Louis e Springfield, reduto político de Abraão Lincoln, paro para almoçar na cidade de Litchfield, também uma indicação do meu amigo Dan Rice: Ariston Café. Fundado em 1924, antes mesmo da Rota 66 ser inaugurada, este é um local tradicional de parada de quem viaja por esta estrada. Fundada por imigrantes gregos, se não é o restaurante mais antigo, é sem dúvida alguma, um dos mais tradicionais. Fui muito bem atendido, por sinal. Nick (filho do fundador – Pete Adam) e sua esposa Demi, são muito atenciosos. As sobremesas merecem destaque especial! Que esta história de sucesso siga em frente com o filho mais velho – Paul e sua esposa Joy!

Route 66, ILDe barriga cheia, o ritmo foi ainda mais lento… Percebi que não chegaria mais em Chicago naquele dia. Mas e daí? Estava na Rota 66 e era ali onde queria estar! Resolvi passar direto por Springfield e deixar a terra política do Presidente Lincoln para uma outra viagem, afinal não irão faltar oportunidades. Ao longo de tantas e tantas milhas, a Rota 66 se tornou algo muito familiar para mim, mais de três mil e duzentos quilômetros de uma estrada em que me sinto em casa, se é que posso definir assim. Sim, “em casa”, é assim que me sinto quando viajo por ela. Difícil descrever a sensação, é preciso conhece-la de ponta a ponta ou cruzar boa parte dela, para realmente entender o que quero dizer.

Eis que pouco mais de duzentas milhas depois, dirigindo e parando em muitos locais para fotos e já no final da tarde, chego em Pontiac, IL, o que para mim foi uma grata surpresa. E resolvi passar a noite ali mesmo. Querem saber por que? Acompanhem no próximo artigo!

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One response to “Chicago – ainda não!

  1. Pingback: Chicago already? Not yet! | Route 66: America's Main Street·

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